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domingo, 7 de agosto de 2011

Categorias de ateus, identifique a sua!!

Toda a gente conhece pelos menos um ou mais ateus, com os quais convivemos todos os dias ou ocasionalmente. Seria interessante perceber as diferenças que essas pessoas manifestam, e explorar suas atitudes e sentimentos sobre ser ateu. Se tornar ateu é um processo gradual que não pode e nem acontece do dia para a noite. Mas umas das coisas que os ateus pouco falam são as mudanças graduais por que passamos depois de nos tornarmos ateus. Richard Dawkins fez uma escala de 7 estágios para o grau de crença ou não-crença em Deus. A escala que proponho aqui é para ateus apenas. Você passa por 5 fases até chegar a conclusão, com 100% de probabilidade, de que Deus não existe.

Atenção que esta classificação só é aplicável a crentes convertidos, que em algum momento acreditaram em Deus. E claro, pode haver sobreposição entre diferentes categorias. Aqui vamos,

Categoria Um: Sou ateu apenas na mente

Aqui percebes que deus ou não existe ou a probabilidade de existir é muito baixa. Nesta fase, por definição és ateu, mas não o admites nem para ti mesmo. Não queres te identificar com essa ‘’gente’’, e o mero facto de pensares em ser ateu te paralisa, mas facilmente reconheces as contradições em todas as religiões e a incoerência do próprio conceito de Deus. Ainda te identificas como espiritual ou agnóstico.

Categoria Dois: Admito, sou ateu

Nesta fase já aceitas que és ateu. É uma fase animadora e assustadora ao mesmo tempo. Tens a sensação de que quebraste o código e descobriste o mistério. Admites a não-crença e até contas a 1 ou 2 amigos muito próximos, mas pedes que não contem a ninguém, por medo da indignação das pessoas da sociedade em que vives. Neste momento ainda estás emocionalmente envolvido com a fé e tens alguma vergonha da tua não-crença. Contudo, estás feliz contigo mesmo por ter eliminado a dissonância cognitiva que sentias ao tentar conciliar o que aprendeste através do método cientifico com o que diz o teu ‘’livro sagrado’’. Aqui também começas a explorar mais os recursos disponíveis como internet e livros clássicos de ateísmo, como o ‘’Deus, um delírio’’ ou ‘’Deus não é grande’’.


Categoria Três: Tentando encontrar mais ateus

Neste ponto, você esta mais confiante que Deus não existe, mas ainda não está a vontade falando do assunto com pessoas que não tiveram a mesma experiencia e não te conseguiriam entender. As vezes te perguntas se estás ‘’sozinho nessa’’. Isso te leva a procurar outros ateus, quer juntando se activamente a grupos ou organizações ateias ou cépticas. Esta etapa pode ser muito complicada, porque você é muito aberto quando está com não-crentes mas muito reservadocom outras pessoas próximas que acreditam. Portanto, você leva uma vida dupla.

Categoria Quatro: Eu sou ateu, lide com isso!!

Finalmente percebes que ser ateu é algo bom e que deve ser admitido com orgulho. Nesta altura você já teve bastante interacção com colegas pensadores livres para perceber que nem eles e nem você estão loucos. Você percebe que ateus são pessoas normais, com mesmos gostos, aversões e peculiaridades que qualquer outra pessoa.

Reconhecendo que o ateísmo é perfeitamente respeitável e defensável, você começa a partilhar o seu ateísmo em círculos mais amplos, com qualquer pessoa. Já não estás preocupado com confrontos e repreensão por parte da sociedade, porque sentes que o teu ponto de vista é perfeitamente justificável. Surge também uma grande sensação de liberdade, porque já não precisas mais ter uma vida dupla. Contudo, não sentes a necessidade de sair por ai gritando aos quatro ventos o teu ateísmo e disseminar uma agenda anti-Deus. Apenas queres ser respeitado pelo que tu és.

 
Categoria Cinco: Eu não acredito em Deus e você também não deveria

Este é o último estágio. Tu não acreditas em Deus e ninguém mais deveria acreditar, porque não faz sentido. Nesta fase, você não só está orgulhoso por não acreditar, mas por conta das consequências da religião na sociedade, também estás a disposto combater publicamente a religião. Já não estás satisfeito com a atitude ‘’vive e deixa viver’’. É o tipo de ateu apelidado de ‘’militante’’. Mesmo na forma extremista de ateu, estás longe de defender a imposição do ateísmo na sociedade. Você vai apresentar suas opiniões sobre fé e religião inequivocamente, chamar de ‘’contos de fada’’ os textos religiosos sem pestanejar e nem se preocupar com a dor que tais verdades possam causar. Porque a dor, que possas infligir é muito menor do que aquela causada pela ignorância, falta de pensamento crítico, descriminação e intolerância e mortes causados pela religião. Você tenta enfatizar que o mais importante é a busca honesta da verdade, e não deve haver ‘‘passe-livre’’ para nenhum tipo de sistema religioso apesar de muita gente dizer que não pode viver sem.

Estas são as categorias de ateus que me parecem mais comuns. Obviamente nem todos ateus chegam a categoria 5 ou passam por todas as categorias. Alguns podem inclusive ficar-se pela categoria 1, 2,3 ou 4. Eu pessoalmente considero-me na categoria 4, ou melhor 4.6!! Com muita tendência para 5.

Se você é ateu, acho que seria interessante tentar descobrir em que categoria você se enquadra. Felizmente do que tenho visto, independentemente da categoria em que qualquer ateu se encontre, parece que a tendência é sempre subir para o nível seguinte. Então avancemos!

A luta continua!!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ateu militante



De acordo com o uso comum do termo ateismo militante, eu sou um "ateu militante". Aqui está o porquê:

• Falo publicamente sobre a minha visão crítica da religião e crença espiritual.

• Mantenho um blog ateu.

• Participo em discussões teístas e debato sobre Teologia.

• Apoio veementemente a separação entre igreja e estado.

• Gosto de ciência.

• Uso o sarcasmo e zombaria para ilustrar o quão certas coisas são ridículas.

• A coisa mais violenta que fiz em nome da minha descrença é alegremente lançar uma Bíblia para o lixo.

Porquê eu deveria ficar quieto, simplesmente porque me falta fé em criaturas mitológicas? Porquê as pessoas religiosas podem expressar em alto e bom som os pontos de vista evangelístico e nós não podemos expressar os nossos pensamentos?

A palavra "militante" não deve ser atribuída a alguém como eu, que na pior das hipóteses expressa suas opiniões em voz alta e ridiculariza o irracional.

Um militante cristão rebenta com clínicas de aborto, um militante muçulmano sequestra aviões, um ateu militante argumenta com as pessoas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Textos ateus (1)

" Se há um Deus que condenará seus filhos para sempre, eu prefiro ir para o inferno do que ir para o céu e manter a sociedade como um tirano infame. Eu faço a minha escolha agora. Detesto essa doutrina. Ela cobriu o rosto deste mundo de lágrimas. Ela poluiu os corações das crianças, e envenenou a imaginação dos homens. Que direito tem o senhor, o senhor padre, você, ministro do evangelho para estar nos portais do túmulo, no vestíbulo da eternidade, e preencher o futuro com terror e medo? Eu não acredito nessa doutrina, nem você. Se você acreditasse, não conseguiria dormir um instante que fosse. Qualquer homem que acredite em tal doutrina, e teha dentro no peito um coração decente, latejante, vai enlouquecer. Um homem que acredita nela e não fique louco, tem o coração de uma serpente e a consciência de uma hiena."
Ingersoll, Robert Green*, "The Liberty Of All" (1877)

*Robert G. Ingersoll (Condado de Yates, 11 de agosto de 1833 — Dobbs Ferry, 21 de julho de 1899) foi um livre pensador norte-americano do século XIX, um orador e líder político norte-americano, notável por sua cultura e defesa do agnosticismo.

domingo, 7 de março de 2010

Ateísmo: um pouco de história

Boa parte o pensamento occidental teve suas origens na Grécia antiga e o ateísmo não é excepção. Foram concretamente os filósofos materialistas, que só acreditavam na existência das coisas que pudessem ser percebidas pelos órgãos de sentido (visão, olfacto, tacto, e.t.c). O primeiro ateu célebre da história foi o filósofo Epicuro, que afirmou não acreditar em dues e nem na vida após a morte. Séculos mais tarde o poeta romano Lúcrecio difundiu as idéias de Epicuro, mas depois da queda do império romano a discussão morreu (advinhem porqûe?). Isso porque na idade média questioner a existência de dues dava direito a brasa. O assunto voltou a tona por volta do séc. XVI quando surgiu o conceito de deísmo-a crença em um Deus, mas não em religião. Foi apartir daí que começaram a surgir muitas questões em volta das religiões, e vários textos da antiguidade clássica foram resgatados e filósofos como Thomas Hobbes foram preparando terreno para o crescimento do ateísmo como conhecemos hoje. O ressurgimento desse novo pensamento abriu portas para o surgimentos dos estados laicos (em que o governo é separado da religião).

Por volta do século XIX, havia uma crença disseminada de que um dia a ciência explicaria tudo no mundo e ninguém mais precisaria de religião. O filósofo Alemão Nietzsche disse uma ez “Deus está morto”. Infelizmente hoje sabemos e percebemos que isso não é tão fácil assim. Apesar de todas as verdades científicas e ausência de evidência para a existência de qualquer dues, as pessoas simplesmente estão reféns da fé e religião e todo um outro lote de superstições.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ateísmo, Big Bang e Evolução

Mais uma vez, afinal o que é o ser ateu? É acreditar na Teoria do Big Bang? É acreditar na Teoria da evolução das espécies? NÃO. É simplesmente ausência de crença em qualquer Deus. Um erro comum entre criacionistas é assumirem que qualquer ateu é evolucionista e defensor do BB, e consequentemente eles aproveitam mal o seu tempo tentando derrubar essas teorias científicas. Típico, porque eles acreditam que ao se provar que essas teorias estão errados automaticamente fica provada a existência de Deus. ERRADO! A ausência de crença em Deus, pelo menos pra mim, não têm nada a ver com BB ou TE. Já era ateu antes de conhecer a TE e muito antes ainda de imaginar que a origem do universo é explicado por uma “explosão”, chamada BB.

Caros criacionistas, ainda que as teorias do BB e TE sejam demolidas, a minha (des)crença em qualquer Deus continuará intacta, a menos que Deus todo poderoso decida dar alguma pista do papel que desempenha no planeta terra. Portanto, a minha descrença não é baseada nas provas da evolução ou Big Bang, mas sim na ausência de evidências para a existência de Deus.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A crueldade de Hitler e Estaline vs ateísmo

Muitos religiosos citam Hitler e Estaline como exemplos de ligação entre ateísmo e crueldade. Muitas dessas pessoas assumem que Hitler e Estaline cometeram atrocidades porque eram ateus. Mas o ponto aqui não é se eles eram ateus, mas sim se o ateísmo influencia sistematicamente as pessoas a fazerem o mal. Não há a mais pequena evidência de que o ateísmo esteve na origem da brutalidade de Estaline. Tais actos foram cometidos em nome do marxismo dogmático e não em nome do ateísmo.

Hitler provavelmente nem era ateu, mas essa inverdade tem sido muito difundida ao longo dos anos. Ele foi criado e educado como católico e pelo que se sabe nunca abandonou (pelo menos formalmente) ao seu catolicismo. Ainda que fosse ateu, as coisas horríveis que fez foram em nome da sua insana e acientífica teoria da Eugenia, e NÃO em nome do ateísmo. Aliás, parece muito pouco provável que ele não tenha sido influenciado pela longa tradição cristã de culpar os judeus pela morte de cristo.

Os ateus podem, individualmente, fazer coisas más, mas não o fazem em nome do ateísmo. Não consigo lembrar de uma só guerra travada em nome do ateísmo. Pra isso só a fé inabável de que a nossa religião é a única e verdadeira, corroborada por um livo sagrado que condena explicitamente à morte todos hereges e seguidores de religiões rivais, e que promete aos soldados de deus um céu de martíres. Por outro lado, porque razão haveria alguém de explodir um avião, matar médicos ou começar uma guerra por causa de uma ausência de crença?

Extraido e adaptado do livro "Deus, um delirio" da autoria de Richard Dawkins

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009