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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Faz diferença?

Muitos perguntam que diferença faz se um homem acredita em um Deus ou não.


Faz uma grande diferença.

Faz toda a diferença do mundo.

É a diferença entre estar certo e estar errado; é a diferença entre verdade e imaginação – fatos ou ilusão.

É a diferença entre a terra ser plana e a terra ser redonda.

É a diferença entre a Terra ser o centro do Universo ou uma minúscula partícula em um vasto e inexplorado oceano com multidões de sóis e galáxias.

É a diferença entre o conceito apropriado de vida ou conclusões baseadas em ilusões.

É a diferença entre o conhecimento comprovado e a fé da religião.

É uma questão de Progresso ou de Idade das Trevas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Súplica Cearense

Uma música com letra interessante, da banda brasileira “O Rappa”.

Oh! Deus,
perdoe esse pobre coitado,
que de joelhos rezou um bocado,
pedindo pra chuva cair,
cair sem parar.

Oh! Deus,
será que o senhor se zangou,
e é só por isso que o sol se arretirou,
fazendo cair toda chuva que há.


Oh! Senhor,
pedi pro sol se esconder um pouquinho,
pedi pra chover,
mas chover de mansinho,
pra ver se nascia uma planta,
uma planta no chão.


Oh! Meu Deus,
se eu não rezei direito,
a culpa é do sujeito,
desse pobre que nem sabe fazer a oração.


Meu Deus,
perdoe encher meus olhos d'água,
e ter-lhe pedido cheio de mágoa,
pro sol inclemente,
se arretirar, retirar.

Desculpe, pedir a toda hora,
pra chegar o inverno e agora,
o inferno queima o meu humilde Ceará.


Violência demais,
chuva não tem mais,
corrupto demais,
política demais,
tristeza demais.
O interesse tem demais!

Violência demais,
fome demais,
falta demais,
promessa demais,
seca demais,
chuva não tem mais!

Oh! Deus.
Oh! Deus.
Só se tiver Deus.
Oh! Deus.
Oh! fome.
Oh! interesse demais,
falta demais...!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A crença na crença

Imagine a seguinte parábobola: Um homem vem ter contigo e diz "Há um dragão na minha garagem". Fascinante! E tu pedes para ver tal dragão e o homem responde “é um dragão invisível”.
Bom, a hipótese continua testável, pois podiamos ir a garagem, e apesar de não vermos o dragão, tentar ouvir uma respiração pesada vindo de fonte não identificável, ver pegadas aparecendo misteriosamente no chão e usar aparelhos para medir o consumo de oxigénio e libertação de dióxido de carbono na garagem.

Então tu dizes ao homem “tudo bem, eu vou a garagem e tentar ouvir alguma respiração de fonte não identificável” e ele prontamente diz “não , é um dragão inaudível”. Te propões a medir níveis de dióxido de carbono no ar e o nosso companheiro diz "o dragão não respira".

Carl Sagan usou esta parábola para ilustrar o quão hipóteses pobres necessitam de “gincanas” rápidas para evitar a testabilidade. Ora bem, o homem já tem um "modelo de fuga" bem preciso da situação na sua mente. A grande questão é, será que ele realmente acredita que há um dragão na sua garagem? Reparem que ele NÃO ESPERA ver o dragão ao abrir a porta da garajem, por isso inventa todo o tipo de desculpas para evitar qualquer testabilidade da sua alegação. Normalmente, se alguém acredita que há um dragão na garagem, essa pessoa espera ver tal criatura assim que abrir a porta da garagem. Caso não haja dragão ao abrir a porta isso significa que não há dragão na garagem. Bastante simples, funciona como “tiro e queda”.

No caso do nosso personagem, é como se ele antecipasse que não há dragão na garagem mas ao mesmo tempo inventa desculpas para defender a sua crença de que existe um dragão na garagem-crença na crença. O termo crença na crença foi proposto pelo filósofo americano Dan Dennett no seu livro “Breaking the spell, religion as natural phenomenom”. Cremos porque queremos crer. A verdade “verdadeira” não tem apelo, só aquela que fabricamos. Isto nasce da profunda necessidade de crermos em algo, independentemente desse algo ser verdade ou não.

Vejam um caso flagrante descrito pelo céptico norte-americano Michael Schermer que desmascarou um suposto paranormal que se comunicava com mortos e mandava mensagens para seus familiares. No fim de uma sessão paranormal, Schermer subiu ao palco e mostrou como a performance tinha sido uma fraude do início ao fim. A platéia não reagiu no início. Depois vaiou . Depois quis agredí-lo (incrível hein?). Schermer teve de sair protegido . Uma senhora aproximou-se dele e disse:” pode ser falso, mas se não acreditarmos nisso acreditaremos em quê?”

Tem mais: no seu livro “Why Darwinism is True” -Jerry Coyne fala da mesam coisa. Coyne é um especialista em evolução das espécies e autor de um excelente livro sobre o tema. Seu livro traz provas cabais, irrefutáveis, definitivas, avassaladoras- da verdade da evolução. Ele conta que em suas palestras (para gente auto-intitulada ” sofisticada”) alguém sempre se aproxima dele no final com o mesmo papo:”Parabéns.Suas evidências são realmente irrefutáveis ,mas eu prefiro continuar com minha visão de que o mundo e as criaturas são obra de um Deus que seguiu um plano em sete dias”. Ou seja :”eu quero crer na minha crença, não me amole com a verdade“.

Isto é o que acontece certamente com a maioria dos religiosos! Provavelmente não acreditam em Deus, eles foram condicionados a acreditar que a fé é uma virtude e que alguém que acredita em deus é necessariamente melhor que alguém que não têm crença em Deus. Sinceramente agora entendo o porquê de quando eu perguntava a alguns amigos meus porquê acreditavam em Deus apenas encolhiam os ombros. Subentendo agora que a resposta seria “porque devo/é bom/é moral”. Fascinante!

Pergunta do dia:
Porque Deus possui quase todas as características de algo que não existe??
Por exemplo: imaterial, invisível, indetectável, etc…

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sinceramente...



Vêm a foto da mensagem acima? Há gente com fé, sinceramente. O bilhete veio em envelope selado e aparentemente foi entregue em todas as caixas de correio da minha rua. Tá tudo a ficar maluco ou quê? Gastar tinta, papel, tempo e …claro a minha paciência!


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Juro que tentei…



De que depende o surgimento da fé no homem? Há muitas teorias e inclusive já foi identificado um gene que predispõe algumas pessoas a acreditarem mais em deus do que outras. Como já devem ter percebido, eu definitivamente não tenho esse gene ou se tenho está num estado dormente. Por outro lado a doutrinação e lavagem cerebral a que somos expostos desde pequenos também parece ter uma grande influência. Comigo isso também não funcionou. Meu avó paterno era pastor na Igreja Presbiteriana, minha avó materna é extremamente religiosa e uma pregadora nata. Desse modo, desde pequenino não tinha como escapar da igreja, e juro por Deus, eu ia mas em nenhum momento acreditei nas fábulas histórias que ouvia da biblía. Só sentia um arrepio quando imaginava o quão horrível deveria ser o inferno e o seu inventor.

Depois da atingir a idade adulta lá tentei de novo…foi um bocadito melhor, e duro também porque domingo cedinho a ressaca estava no pico e não via a hora de a missa acabar. Foi melhor no sentido de que já não foi por obrigação e confesso que enquanto estava dentro da igreja aquele sentimento de medo do incerto tomava conta de mim. Nunca passou disso, é como ir a um funeral: lembra-nos que a vida é trágica e num abrir de olhos esfuma-se. Nesse intervalo de lucidez pensamos e repensamos em todas as coisas que fizemos, que faremos, fazemos montes de promessas e pedimos muitos “perdões”. Feliz ou infelizmente retomamos a nossa vida normal e deixamos os medos de lado.

Eu tentei, sério, acreditar que existe algum Deus que olha por mim, que gere um plano detalhado de vida para mim, minha família e amigos e que apesar de todos muitos pesares ele tem a situação sob controle. Tentei acreditar que ele encontra-se em todo lugar, a toda a hora e controla os nossos pensamentos e acções através de um botãozinho.

Seria de facto fascinante se o Universo tivesse um propósito; seria provavelmente prazeroso haver vida após a morte. Porém, não há um só pedacinho de evidência em favor de nenhuma das duas especulações. Como é fácil de compreender por que as pessoas anseiam por um propósito cósmico e vida eterna, e não existe evidência para ambos, me parece uma conclusão inescapável que nenhum dos dois existe. Realmente seria óptimo se todos nós fôssemos tão especiais quanto gostaríamos de ser, mas o facto é que não temos motivos para acreditar que somos. Novamente, é a integridade intelectual que nos impede de acreditar em algo infundado somente porque é confortante. Tenho de confessar que no início era duro, muito duro acreditem, aceitar que o mundo era como era: cruel, egoísta, onde os fracos simplesmente não sobrevivem e a vida acaba com a morte. Mas sobrevivi e talvez algum dia quando os meus medos regressarem eu volte a procurar Deus. Porque Deus é isso mesmo: produto dos nossos medos, incertezas, ânsias, vazio e desejos!

P.S. Gostaria de ouvir de vocês, quer ateus ou crentes quais as bases de vossas convicções. Desde quando são crentes ou ateus? Se sempre acreditaram ou não?o que os fez mudar de idéias? E.t.c