Imagine a seguinte parábobola: Um homem vem ter contigo e diz "Há um dragão na minha garagem". Fascinante! E tu pedes para ver tal dragão e o homem responde “é um dragão invisível”.
Bom, a hipótese continua testável, pois podiamos ir a garagem, e apesar de não vermos o dragão, tentar ouvir uma respiração pesada vindo de fonte não identificável, ver pegadas aparecendo misteriosamente no chão e usar aparelhos para medir o consumo de oxigénio e libertação de dióxido de carbono na garagem.
Então tu dizes ao homem “tudo bem, eu vou a garagem e tentar ouvir alguma respiração de fonte não identificável” e ele prontamente diz “não , é um dragão inaudível”. Te propões a medir níveis de dióxido de carbono no ar e o nosso companheiro diz "o dragão não respira".
Carl Sagan usou esta parábola para ilustrar o quão hipóteses pobres necessitam de “gincanas” rápidas para evitar a testabilidade. Ora bem, o homem já tem um "modelo de fuga" bem preciso da situação na sua mente. A grande questão é, será que ele realmente acredita que há um dragão na sua garagem? Reparem que ele NÃO ESPERA ver o dragão ao abrir a porta da garajem, por isso inventa todo o tipo de desculpas para evitar qualquer testabilidade da sua alegação. Normalmente, se alguém acredita que há um dragão na garagem, essa pessoa espera ver tal criatura assim que abrir a porta da garagem. Caso não haja dragão ao abrir a porta isso significa que não há dragão na garagem. Bastante simples, funciona como “tiro e queda”.
No caso do nosso personagem, é como se ele antecipasse que não há dragão na garagem mas ao mesmo tempo inventa desculpas para defender a sua crença de que existe um dragão na garagem-
crença na crença. O termo crença na crença foi proposto pelo filósofo americano Dan Dennett no seu livro “Breaking the spell, religion as natural phenomenom”. Cremos porque queremos crer. A verdade “verdadeira” não tem apelo, só aquela que fabricamos. Isto nasce da profunda necessidade de crermos em algo, independentemente desse algo ser verdade ou não.
Vejam um caso flagrante descrito pelo céptico norte-americano Michael Schermer que
desmascarou um suposto paranormal que se comunicava com mortos e mandava mensagens para seus familiares. No fim de uma sessão paranormal, Schermer subiu ao palco e mostrou como a performance tinha sido uma
fraude do início ao fim. A platéia não reagiu no início. Depois vaiou . Depois quis agredí-lo (incrível hein?). Schermer teve de sair protegido . Uma senhora aproximou-se dele e disse:”
pode ser falso, mas se não acreditarmos nisso acreditaremos em quê?”
Tem mais: no seu livro “Why Darwinism is True” -Jerry Coyne fala da mesam coisa. Coyne é um especialista em evolução das espécies e autor de um excelente livro sobre o tema. Seu livro traz provas cabais, irrefutáveis, definitivas, avassaladoras- da verdade da evolução. Ele conta que em suas palestras (para gente auto-intitulada ” sofisticada”) alguém sempre se aproxima dele no final com o mesmo papo
:”Parabéns.Suas evidências são realmente irrefutáveis ,mas eu prefiro continuar com minha visão de que o mundo e as criaturas são obra de um Deus que seguiu um plano em sete dias”. Ou seja :”
eu quero crer na minha crença, não me amole com a verdade“.
Isto é o que acontece certamente com a maioria dos religiosos! Provavelmente não acreditam em Deus, eles foram condicionados a acreditar que
a fé é uma virtude e que alguém que acredita em deus é necessariamente
melhor que alguém que não têm crença em Deus. Sinceramente agora entendo o porquê de quando eu perguntava a alguns amigos meus porquê acreditavam em Deus
apenas encolhiam os ombros. Subentendo agora que a resposta seria “porque devo/é bom/é moral”. Fascinante!
Pergunta do dia:
Porque Deus possui quase todas as características de algo que não existe??
Por exemplo: imaterial, invisível, indetectável, etc…