domingo, 15 de novembro de 2009

Reflectindo sobre a teoria da evolucão (2)

Num dos posts passados (clique aqui para ler a parte 1) fiz uma breve introdução sobre alguns desafios enfrentados pela teoria da evolução actualmente. De hoje em diante vou fazer uma análise resumida de alguns factos tidos como evidências da evolução.
1. O registro fóssil- em geologia existe o principio da sobreposição que diz que “a acumulação dos sedimentos, em qualquer ambiente sedimentar, origina uma sequência de camadas ou estratos, em que as camadas mais antigas são cobertas pelas mais recentes” (figura 1). Este princípio é fundamental para a interpretação da história da terra, porque em qualquer parte do planeta terra indica as idades relativas das camadas das rochas sedimentares e dos fósseis nelas contidos.

Ao se estudar o número e complexidade de fósseis contidos nos diferentes estratos/camadas geológicos, observa-se que nos estratos mais antigos encontram-se poucos fósseis, que contém estrutura simples, enquanto que as rochas mais recentes contêm uma grande variedade de fósseis, freqüentemente com um aumento na complexidade de suas estruturas. Estas observações levaram a conclusão de que com o passar do tempo os organismos foram aumentando progressivamente a sua complexidade. Por exemplo, comparando o mais antigo fóssil de cavalo e os fósseis subsequentes (de estratos geológicos mais recentes), observa-se o surgimento de novas estruturas e o desaparecimento de outras, aumento do tamanho corporal e outras modificações morfológicas (desde atrofia óssea a modificações na formúla dental) até o cavalo de hoje, que anda apenas sobre 1 dedo (incrível não é?). Desse modo, cada “novo” fóssil apresenta sempre um nível de especialização ou complexidade maior quando comparado com o anterior (clique aqui para ler sobre a evolucao do cavalo, RECOMENDO)
Pelo do registro fóssil, muitas espécies que aparecem em um estrato antigo, desaparecem em níveis posteriores. Isso é interpretado em termos evolucionários como a indicação do tempo em que uma espécie se originou e tornou-se extinta.

2. Estruturas homologas-sao estruturas que apresentam um plano estrutural básico semelhante, ou seja, a forma destas estruturas é muito semelhante (exemplo: um braço de um humano, nadadeira de uma baleia e a asa de uma ave).
Pelo facto de as diferentes espécies terem sido sujeitas a pressões selectivas (conjunto de factores que condicionam a vida dos indivíduos e que os obrigam a evoluir em determinada direcção) diferentes, adaptaram os seus membros a àquilo a que eles eram mais necessários no ambiente em que determinada espécie se encontrava.

3.  Órgãos vestigiais-são estruturas que se apresentam bastante desenvolvidas em algumas espécies, mas que, devido ao desuso e, portanto, à falta de necessidade noutras espécies, se atrofiam, não se desenvolve ou desenvolvem-se pouco.
Exemplos:
-Apêndice em seres humanos- este órgão é muito desenvolvido em animais que ingerem muita celulose (abundante em plantas verdes) pois a sua função é a degradação desta - e pouco desenvolvido naqueles que a não ingerem ou ingerem em poucas quantidades  (por exemplo o homem)

-O cóccix- (fig 2) é um osso formado por 4 vértebras caudais fusionadas (como podem concluir, apesar de não ser visivel uma cauda em humanos, as vértebras caudais estão lá). O cóccix deve ser o remanescente do que pode ter sido uma cauda. Se houver alguma dúvida que o cóccix representa a cauda e não outra coisa, a resposta está no estudo do desenvolvimento do embrião humano, que nas primeiras fases de gestação desenvolve uma diminuta, mas bem distinta região caudal que desaparece por volta da oitava semana de gestação.

-Na baleia (figura 2) existem pequenos membros posteriores imersos no tecido (não visíveis) constituídos por um femur que articula-se a pelvis (tal como em humanos).

-Remanescente de membros posteriores em cobras (fig 1).

Clique na imagem para ver em tamanho grande!



-Olhos vestigiais (figura 3) dos peixes Astyanax mexicanus- estes peixes vivem em alguns rios do México e EUA. As populações que vivem à superfície possuem olhos grandes, enquanto as populações de um grande número de grutas são cegas (não necessitam de usar os olhos uma vez que não há luz) e com vários graus de despigmentação (albinas). Estudos demonstraram que os peixes cegos, quando expostos a superfície (presença de luz) voltam a desenvolver olhos funcionais depois de várias gerações!!




Continua...

1 comentário:

  1. Quais estudos são esses sobre peixes que voltar a ver com incidencia de luz?

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